O que é o EVA – Economic Value Added?

 

O QUE É O EVA? 

 

  • O Economic Value Added (EVA®) é uma medida periódica de criação de valor desenvolvida por Joel Stern e G. Bennett Stewart III, da empresa americana de consultoria Stern Stewart & Co.

 

  • O EVA é uma medida de rendimento residual, calculada pela subtracção dos encargos de capital aos resultados operacionais líquidos de impostos. A principal diferença do EVA relativamente ao lucro contabilístico é considerar o custo de remunerar a totalidade dos capitais investidos, e não apenas os capitais alheios. Isto é, considera também o custo de oportunidade dos capitais próprios.

 

  • Se o EVA é positivo, significa que a empresa gerou uma rendibilidade superior ao custo dos capitais investidos. Se o EVA é negativo, a empresa não cobriu o custo dos capitais investidos. No primeiro caso a empresa criou valor e no segundo destruiu valor.

 

  • A utilização do EVA para tomada de decisões financeiras foi pela primeira vez sugerida por Stewart (1989), que defende que os gestores devem ter como objectivo maximizar o EVA e não os resultados líquidos contabilísticos. Recomenda ainda a sua utilização para determinar objectivos, avaliar o desempenho financeiro, estabelecer esquemas de remuneração e incentivo, comunicar o desempenho aos investidores e avaliar projectos de investimento e empresas.

 

 

O QUE É O EVA?

  • Indicador de desempenho financeiro baseado no valor
  • Indicador de lucro económico ou rendimento residual
  • Indicador que reflecte o valor absoluto de valor accionista criado ou destruído durante um ano e não um indicador relativo como os usuais (ROE, ROA, etc..)
  • Medida para estabelecer esquemas de remuneração e incentivo
  • Medida para comunicar o desempenho financeiro aos gestores
  • Ferramenta da Gestão Orientada para a Criação de Valor, ferramenta comportamental
  • Ferramenta mais eficiente do que a taxa de retorno tradicional (ROI) para fins de controle interno
  • Método de avaliação de empresas/projectos semelhante ao método do VAL
  •  Marca registada da Stern Stewart & Co., que implementou o conceito em mais de 300 grandes empresas no mundo
  • Principal determinante das cotações
  • Principal determinante do MVA
  • Melhor indicador de desempenho conhecido.

CÁLCULO DO EVA

 

Ao seu nível mais simples, procede-se ao cálculo do EVA da seguinte forma:

EVA = ROLI – (WACC x CI)

Alternativamente, o EVA poderá exprimir-se como:

EVA = (ROIC – WACC) X CI

em que  ROIC= ROLI/CI

PRINCIPAIS VANTAGENS FACE ÀS MEDIDAS DE DESEMPENHO TRADICIONAIS

 

  • Consideração do custo da totalidade dos capitais investidos
  • Possibilidade de ajustamentos às distorções contabilísticas
  • Relacionado com o valor da empresa
  • Utilização do lucro económico
  • Medida periódica que permite uma observação constante entre os objectivos dos accionistas e os resultados dos gestores

 

PREMISSAS BÁSICAS

  • Os gestores devem maximizar a criação de valor para os accionistas
  •  Os investidores investem fundos numa empresa porque esperam um retorno superior ao custo do capital

 

AS ESTRATÉGIAS QUE RESULTAM DO EVA

Sendo o objectivo principal dos gestores da empresa a criação de valor para os seus investidores, as estratégias a adoptar para maximizar o EVA deverão ser as seguintes:

 

  1.  Optimizar – Reduzir o custo do capital, optimizando a sua estrutura.
  2.  Rentabilizar – Melhorar a rendibilidade do capital investido nos activos actuais;
  3.  Criar Valor/ Construir – Investir em novos projectos desde que os retornos excedam o custo capital;
  4.  Desinvestir – Retirar capital das áreas de negócio onde os retornos são inadequados;

PRINCÍPIOS DA GESTÃO ORIENTADA PARA A CRIAÇÃO DE VALOR

 

  • Uma estratégia que fixe os objectivos da criação de valor
  •  Alocação dos recursos em função dos factores determinantes de valor
  •  Uma medida de desempenho de criação de valor
  •  Um sistema de remuneração ligado à criação de valor
  •  Uma comunicação financeira eficaz

 

AJUSTAMENTOS CONTABILÍSTICOS

 

  • As medidas de resultados e de capital utilizadas no modelo obtêm-se das demonstrações financeiras e respectivas notas explicativas.
  •  Devem ser efectuados alguns ajustamentos para converter os resultados contabilisticos em resultados económicos e o valor contabilístico do capital em valor económico.
  •  O objectivo é tentar representar melhor a criação de valor através da evidência de despesas com carácter de investimento, da obtenção de incentivos para a alienação de imobilizado com efeito positivo no EVA, assim como através da evidência de passivo contabilizado fora de balanço.
  •  A Stern Stewart identificou mais de 150 ajustamentos potenciais.
  •  Estes ajustamentos referem-se principalmente aos princípios contabilísticos relativos, por exemplo ao custeio e à avaliação das existências, às provisões para depreciação de existências, às provisões para cobranças duvidosas, ao procedimento de capitalização e amortização das despesas de investigação e desenvolvimento, às despesas de reestruturação e à amortização do goodwill.
  •  Na prática são efectuados normalmente apenas cinco a dez ajustamentos

 

 

OBJECTIVOS DOS AJUSTAMENTOS CONTABILÍSTICOS

  

  • Converter resultados contabilísticos em resultados económicos
  •  Correspondência entre investimento e proveitos
  •  Evidenciar despesas com carácter de investimento
  •  Obter incentivos para alienação de imobilizado que não crie valor

Os Ajustamentos têm como objectivo obter o valor económico dos Resultados Operacionais Líquidos de Impostos e do Capital Investido.

CRITÉRIOS PARA SELECIONAR OS AJUSTAMENTOS NECESSÁRIOS

Só deverão ser considerados se passarem quatro testes:

 

  • Materialidade (o ajustamento deve ser significativo de tal forma que seja material para a avaliação do desempenho)
  •  Efeito no comportamento (deve determinar um comportamento que crie valor e não seja manipulável)
  •   Compreensão fácil pela gestão
  •   Rápida e fácil obtenção de dados.

 

OS RESULTADOS OPERACIONAIS LÍQUIDOS DE IMPOSTOS (ROLI) E O CAPITAL INVESTIDO (CI) PODEM SER CALCULADOS DA SEGUINTE FORMA:

ROLI

(+) Resultado operacionais

(+) Resultados financeiros

(+) Juros suportados

(-) Benefício fiscal dos juros suportados

(-) Imposto sobre o rendimento

(+) Ajustamentos

CI

(+) Capitais próprios

(+) Interesses minoritários

(+) Provisões para riscos e encargos

(+) Passivo remunerado

(+) Ajustamentos

 

CUSTO MÉDIO DE CAPITAL

 

 

Conforme referido uma das principais vantagens da utilização deste método é a consideração do custo total de financiamento dos projectos ou da empresa. Neste sentido, o custo do capital é uma média ponderada pelas 3 fontes de financiamento:

 

-          capitais próprios

-          capitais alheios (ponderado pelo efeito fiscal)

-          acções preferenciais

WACC = Ke* E/V + Kd*(1-T)* *D/V + Kps * PS/V

 

Ke – Custo dos Capitais Próprios

Kd – Custo dos Capitais Alheios

Kps – Custo das Acções Preferenciais

E – Valor do Capital Próprio

V – Valor do Capital

D – Valor do Capital Alheio

PS – Valor das acções Preferenciais

O CUSTO DO CAPITAL PRÓPRIO

 

KE = rf + β [E (rm) – rF  ]

  • A taxa de juro isenta de risco pode ser representada pelas taxas mensais da OTs de taxa fixa por prazo residual de 10 anos;
  •  O coeficiente de risco sistemático deverá ser estimado, desalavancado e alavancado com a estrutura de capitais alvo;
  •  O prémio de risco de mercado para Portugal deverá situar-se entre os 4,5% e os 5,5%,segundo Damodaran.

O CUSTO DO CAPITAL ALHEIO

KD = YTM dos actuais empréstimos obrigacionistas

ou

KD = Juros suportados (1-T) / Passivo remunerado

CUSTO DAS ACÇÕES PREFERENCIAIS (KPS)

  

KPS = Dividendo preferencial / Cotação das acções preferenciais

 

 

ALGUNS EXEMPLOS DE AJUSTAMENTOS FREQUENTES

DISPONIBILIDADES EXCEDENTÁRIAS

  •  Retirar ao valor do capital investido os elementos patrimoniais do activo não afectos à exploração, tais como os meios líquidos excedentários e os títulos negociáveis.
  •  Por uma questão de coerência no cálculo dos resultados operacionais líquidos de impostos, excluem-se dos resultados financeiros os juros obtidos, anulando-se o custo fiscal deste proveito.

  LEASINGE ALD

  •  O passivo de um contrato de locação é considerado como empréstimo e deve ser adicionado ao capital investido, de forma a não ser considerado um passivo não remunerado.
  •  O activo deve ser evidenciado no balanço.
  •  O ajustamento compreende adicionar o valor actual de pagamentos de locação futuros, actualizados à taxa de endividamento da empresa, ao capital investido. Os juros são calculados multiplicando o valor capitalizado das locações pela taxa de endividamento. Esta quantia é adicionada, líquida do respectivo benefício fiscal, à medida de resultados.

 

GOODWILL

  •  Tanto o abate do goodwill como a sua amortização são formas de reduzir artificialmente o capital investido, pelo que ambos os procedimentos requerem ajustamentos.
  •  Se o goodwill foi anulado por contrapartida de reservas, deve ser adicionado de volta ao capital investido.
  •  Se o goodwill foi amortizado, as amortizações acumuladas de goodwill devem ser adicionadas  ao capital investido e as amortizações de goodwill do período aos resultados operacionais líquidos de impostos.

RESERVAS OCULTAS NAS EXISTÊNCIAS

  •  Se as empresas utilizam o método LIFO, o valor das existências pode estar subavaliado, o que subestima o valor do capital investido.
  •  As empresas que utilizam o método LIFO normalmente divulgam nos seus relatórios a diferença entre o valor das existências do balanço e valor segundo o método FIFO. Esta diferença deve ser adicionada ao capital investido e variação anual da mesma deve ser adicionada aos resultados operacionais líquidos de impostos.

GANHOS E PERDAS NÃO RECORRENTES

 

  • Os resultados operacionais líquidos de impostos devem excluir os ganhos e as perdas não recorrentes, tais como as despesas de reestruturação (equiparadas a um investimento estratégico) e os ganhos derivados da alienação de activos (considerados uma recuperação do capital).
  •  Para ser consistente, no cálculo do capital investido, as mais-valias não recorrentes após impostos acumuladas desde o início da actividade da empresa devem ser subtraídas ao capital investido.

 

 PROVISÕES

 

  • Provisionar as depreciações do activo (por exemplo, provisões para cobranças duvidosas e para depreciação das existências), é o procedimento correcto, de acordo com os princípios contabilísticos geralmente aceites. No entanto, “amortizar” parte do capital investido no activo é incorrecto da perspectiva do EVA. Apesar deste capital não estar a obter um resultado, deve ser incluído na base de capital, uma vez que os investidores esperam obter um retorno da totalidade do capital investido.
  •  Os ajustamentos necessários relativamente às provisões consistem em adicionar à base de capital o valor total acumulado em provisões e corrigir os resultados pelas provisões do exercício líquidas de imposto.
 

DESPESAS DE INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

 

  • Devem ser consideradas como investimento

ACTIVOS QUE NÃO PRODUZEM RENDIMENTO E IRRECUPERÁVEIS

 

  • Foi um investimento, ainda que mal sucedido, pelo que deve manter-se no balanço.

AMORTIZAÇÕES

 

  • As amortizações devem ser as económicas. Isto é, devem ser apuradas tendo por base a vida económica do bem, o custo do capital da empresa e ter valores constantes.

OUTROS AJUSTAMENTOS POSSÍVEIS

Títulos negociáveis;

Imobilizações em curso;

Letras a receber descontadas e não vencidas;

Factoring;

Impostos diferidos;

Goodwill não contabilizado;

Despesas de marketing;

Investimentos obrigatórios em segurança e ambiente;

Mais-valias não usuais líquidas de impostos;

Suprimentos;

Reservas de reavaliação;

Amortizações;

…..

CRITICAS AOS AJUSTAMENTOS

 

  • Young (1999) evidencia que a generalidade dos ajustamentos acabam por não ser relevantes para o calculo do EVA, produzindo um efeito apenas marginal, pelo que será preferível usar as demonstrações financeiras baseadas em princípios contabilísticos geralmente aceites;
  •  Bauman (1999) mostra diversos casos em que os ajustamentos se anulam produzindo EVA idênticos;
  •  Os analistas externos têm dificuldades em ter a informação necessária;
  •  Os ajustamentos são muito trabalhosos e complexos;
  •  Dificuldade de consistência dos ajustamentos entre empresas.

AS CRÍTICAS AO EVA

  • Tem por base valores contabilísticos
  •  Penaliza as empresas com investimentos em activos com retornos de longo prazo
  •  Não dá uma visão sobre:

Satisfação e fidelidade de clientes

Melhoria do processo de produção

Inovação

Motivação dos colaboradores

etc….

  •   Processo de implementação caro e complexo
  •  Dificuldade de comparações por inconsistência relativamente aos ajustamentos